10 mulheres que mudaram a história!

por | 22/01/2021 | Curiosidade

“O passado não volta. Importantes são a continuidade e o perfeito conhecimento de sua história.” (Lina Bo Bardi)

E com as palavras da projetista do Museu de Arte de São Paulo (MASP), apresento esta lista de mulheres incríveis, cujo conhecimento e determinação marcaram a História para sempre.

Ressaltar suas histórias, falar sobre os seus feitos e lembrar o que elas fizeram pela humanidade é uma das melhores formas de comemorar todos os dias.

 

Mudando a história da pirataria 

Sim, a maior pirata da História foi uma mulher!

Ching Shih nasceu em 1775 na província de Guangdong, na China. Quando ela era jovem, se mudou para a cidade Guangzhou, que ficava em uma zona portuária próxima de Hong Kong e pouco se sabe sobre sua juventude. 

Ainda jovem, ela presenciou um ataque pirata à cidade de Guangdong e foi levada cativa. Contudo, ela acabou se casando com um dos piratas responsáveis pela pilhagem da sua cidade. 

A família de seu novo marido, Cheng I, era notoriamente bem-sucedida na pirataria desde o século XVII. Não demorou muito para que ela decidisse que também queria participar das atividades no mar. 

Seu envolvimento foi tão grande que, com a morte de seu marido em 1807, ela conseguiu manter para si a posição de liderança de Cheng I e até mesmo ampliá-la! 

Ela adotou o nome de Cheng I Sao (traduzido como “a viúva de Cheng I”), e manteve aproximadamente 40.000 pessoas sob o seu comando, pilhando cidades portuárias, frotas inteiras e controlando a região próxima de Hong Kong.

Depois de três anos, o governo chinês ofereceu anistia a todos os piratas e ela acabou aceitando. Ela morreu aos 69, em 1844, já aposentada. 

 

Rainhas e seus reinados

Antigamente, a região da Coreia era dividida em alguns reinos. Um deles, era o Silla, comandados apenas por homens. 

Aproximadamente em 567 d.C., o rei Jinpyeong nasceu e se tornou mais um dos monarcas na linha de sucessão. Entretanto, ele teve um problema muito sério: depois de se casar, teve apenas filhas mulheres. 

Segundo a tradição, apenas homens poderiam assumir o trono, mas o rei não teve escolha desta vez. Ele designou sua filha, Deokman, como a futura rainha. Em 632 d.C., quando Jinpyeong morreu, a princesa assumiu o trono e tomou sobre si o nome de Seon Duk. 

Ela era descrita como uma rainha inteligente, perspicaz e muito ativa! Seon Duk auxiliou o país a passar por períodos violentos, enfrentou desafios complexos e em meio a isso conseguiu estabelecer os fundamentos da unificação dos reinos que seriam a Coreia. 

Assim como a Rainha Seon Duk, a Rainha Njinga, de Angola, foi uma líder em tempos de guerra. 

Njinga era a irmã do Rei Ngola e auxiliava em missões diplomáticas para o reino. Ela foi a responsável por firmar acordos com governantes portugueses que começaram a colonizar a região e a levar escravos cativos. 

Mesmo com um acordo firmado em 1620 com os colonizadores, o povo foi atacado e o Rei Ngola não conseguiu manter o poder. Ele acabou saindo de cena para a entrada da Rainha Njinga. 

Por 40 anos, ela foi a soberana que lutou com muita força contra a ocupação portuguesa na área e manteve sua resistência até morrer, aos 82 anos, em 1663. 

 

Os avanços das mulheres na ciência 

Com o passar dos séculos e a ascensão do pensamento científico, as mulheres começaram a contribuir com suas ideias. 

Uma das pesquisadoras mais importantes no ramo da paleontologia, Mary Anning, nasceu em 1799, na Inglaterra. Durante sua infância, ela frequentava a costa de Dorset com seu pai para procurar fósseis e vendê-los depois. 

Com a morte do pai, Mary e seu irmão, Joseph, continuaram as escavações e encontraram fósseis de répteis aquáticos com até 5 metros de comprimento.

Na época, Mary estudava as criaturas, mas a Sociedade de Geológica não permitia que ela entrasse nas reuniões ou falasse sobre seus estudos. Mesmo assim, os presentes discutiam os achados dela e usavam suas ideias. Tudo, sem dar o crédito à Mary!

E ela não foi a única que teve seu nome “apagado” da história. 

A cientista Mary Sherman Morgan nasceu em 1921, nos Estados Unidos, e era uma estudante de química quando começou a trabalhar com combustíveis. 

Sua carreira progrediu muito, chegando a trabalhar no lançamento de foguetes. Contudo, os sigilos que envolviam os projetos não permitiam que ela fosse reconhecida por suas contribuições. 

E o que Mary fez? Bom, em 1957 o Departamento Espacial dos Estados Unidos estava trabalhando no Projeto Vanguard. A ideia era lançar o primeiro satélite americano, mas o combustível usado no foguete não tinha a potência necessária para subir.

Mary, com toda a sua inteligência, desenvolveu o Hydyne, o combustível que tornou o projeto viável e levou a Explorer 1 para a órbita! 

 

Quebrando barreiras

No início do século XX, as mulheres não eram muito bem-vindas nas faculdades de medicina. Mesmo assim, Virginia Apgar se formou, em 1933, na famosa universidade de Columbia, nos Estados Unidos. 

Mesmo querendo ser cirurgiã, Virginia foi obrigada a trabalhar com a administração de anestesia porque as mulheres não eram bem aceitas em salas de cirurgias. 

Ela não desistiu e se aperfeiçoou no ramo da anestesiologia, e em 1937 já era professora e a primeira chefe do departamento no Columbia Presbyterian Hospital.

Lá, Virginia encontrou sua vocação: obstetrícia. Ela estudou muito sobre os partos e criou uma forma de avaliar a saúde dos bebês após o nascimento. Ela usou o próprio sobrenome como acrônimo da avaliação: APGAR (Activity, Pulse, Grimace, Appearance, Respiration). 

Graças a Virginia Apgar, hoje compreendemos mais sobre o ramo da obstetrícia e ela não foi a única a quebrar barreiras no seu próprio ramo de atuação!

Lois Weber foi a primeira diretora de filmes nos Estados Unidos. Ela nasceu em 1879 no estado da Pensilvânia e ainda na sua juventude foi para os palcos dos teatros (algo considerado degradante para uma mulher). 

Ela se casou em 1904 e acabou abandonando os palcos em 1906. Mesmo estando em casa, Lois e seu marido escreviam roteiros e faziam direções, mas ela se mostrou estar à frente do seu tempo. 

Em 1913, ela dirigiu um dos seus primeiros filmes, Suspense, e continuou sua carreira com produções que criticavam a sociedade profundamente.

Já em 1920, os filmes com som chegaram. As pessoas não queriam mais ver filmes “sociais” e a carreira de Lois acabou definhando. Mais e mais homens ocuparam o mercado e os estúdios passaram a dar mais importância para os lucros das produções deles.

Lois criticou as mudanças em 1928 em um artigo que escreveu:

“As mulheres entrando na indústria agora, a encontram praticamente fechada.”

A crítica dela continua reverberando através do tempo até hoje. 

 

Recordes quebrados! 

A responsável por alguns recordes olímpicos foi a atleta Gertrude Ederle. Ela nasceu em 1906 nos Estados Unidos e aos 19 anos já era uma profissional da natação.

Em 1925, pouco após se tornar uma profissional, ela quebrou seu primeiro recorde: Gertrude nadou um trecho de 22 milhas entre Nova York e Nova Jersey em 7 horas e 11 minutos. Ela manteve essa marca por 81 anos, quando recorde foi quebrado por uma outra nadadora, Tammy Van Wisse. 

Naquele mesmo ano, Gertrude tentou nadar o Canal da Mancha. Mesmo com todo o treinamento e preparação, ela foi desqualificada, porque os responsáveis que acompanhavam a prova diziam que ela estava se afogando. 

Ela rebateu as alegações e insistiu que estava apenas descansando, boiando com o rosto na água. Não teve jeito, ela foi desclassificada e ainda ouviu de seu treinador que “mulheres não tinham o físico necessário para conseguir nadar através do Canal.”

Gertrude não desistiu! Em 1926, ela saiu da Costa Francesa às 7:08h da manhã, e, depois de 14 horas e 34 minutos, chegou na Costa Britânica. A nadadora manteve o recorde até 1950, quando outra mulher, Florence Chadwick, fez a mesma prova em 13 horas e 20 minutos.

Antes de Gertrude, apenas cinco homens haviam nadado o Canal, sendo que o recorde anterior ao dela era de 16 horas e 33 minutos. 

 

E elas deixaram suas obras para nós!

Por fim, preciso falar sobre Emily Roebling.

O sogro de Emily, John Roebling, foi o encarregado do projeto de construção da Ponte do Brooklyn, em 1869. Após alguns anos ele faleceu e o filho, Washington Roebling, se tornou responsável pela ponte. 

Em 1872, Washington se acidentou e sofreu com sequelas por toda a vida. Ele ficou parcialmente paralisado e perdeu a voz, fazendo com que Emily se tornasse sua assistente em tempo integral. 

A ajuda dela se tornou cada vez mais significativa, afinal de contas, Emily havia estudado matemática, materiais e edificações! Ela assumiu novas funções e muitas vezes era chamada de “engenheira-chefe” da obra. 

Em 1883, a Ponte do Brooklyn ficou pronta, e Emily foi a primeira pessoa na História a cruzá-la.

 

E há muito mais por vir!

Com o passar dos anos, as mulheres ganharam mais e mais espaço no mercado de trabalho. Elas contribuíram com sua inteligência, coragem e vontade de fazer mais!

Que nos próximos anos isso aumente e continue! 

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